STORY-95: A CIGARRA E A FORMIGA
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- 4 de jun. de 2022
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Num dia de quente de verão, uma alegre cigarra estava a cantar e a tocar o seu violão, com todo o entusiasmo. Ela viu uma formiga a passar, concentrada na sua grande labuta diária que consistia em guardar comida para o inverno.
- D. Formiga, venha e cante comigo, em vez de trabalhar tão arduamente.
Desafiou a cigarra.
- Vamo-nos divertir.
- Tenho de guardar comida para o Inverno.
Respondeu a formiga, sem parar.
- Aconselho-a a fazer o mesmo.
- Não se preocupe com o inverno, está ainda muito longe.
Disse a outra, despreocupada.
- Como vê, comida não falta.
Mas a formiga não quis ouvir e continuou a sua labuta. Os meses passaram e o tempo arrefeceu cada vez mais, até que toda a Natureza em redor ficou coberta com um espesso manto branco de neve.
Chegou o inverno. A cigarra, esfomeada e enregelada, foi à casa da formiga e implorou humildemente por algo para comer.
- Se você tivesse ouvido o meu conselho no Verão, não estaria agora tão desesperada.
Ralhou a formiga.
- Preferiu cantar e tocar violão?! Pois agora dance!
E dizendo isto, fechou a porta, deixando a cigarra entregue à sua sorte.
Moral da história:
Não penses só em divertir-te. Trabalha e pensa no futuro.
É melhor estarmos preparados para os dias de necessidade.
A CIGARRA E A FORMIGA (A FORMIGA BOA) (Monteiro Lobato)
Houve uma jovem cigarra que tinha o costume de chiar ao pé do formigueiro. Só parava quando cansadinha; e seu divertimento era observar as formigas na eterna faina de abastecer as tulhas. Mas o bom tempo afinal passou e vieram às chuvas, Os animais todos, arrepiados, passavam o dia cochilando nas tocas. A pobre cigarra, sem abrigo em seu galhinho seco e metida em grandes apuros, deliberou socorrer-se de alguém. Manquitolando, com uma asa a arrastar, lá se dirigiu para o formigueiro. Bateu – tique, tique, tique... Aparece uma formiga friorenta, embrulhada num xalinho de paina. - Que quer? – perguntou, examinando a triste mendiga suja de lama e a tossir. - Venho em busca de agasalho. O mau tempo não cessa e eu... A formiga olhou-a de alto a baixo. - E que fez durante o bom tempo que não construí a sua casa? A pobre cigarra, toda tremendo, respondeu depois dum acesso de tosse. V - Eu cantava, bem sabe... - Ah!... exclamou a formiga recordando-se. Era você então que cantava nessa árvore enquanto nós labutávamos para encher as tulhas? - Isso mesmo, era eu... Pois entre, amiguinha! Nunca poderemos esquecer as boas horas que sua cantoria nos proporcionou. Aquele chiado nos distraía e aliviava o trabalho. Dizíamos sempre: que felicidade ter como vizinha tão gentil cantora! Entre, amiga, que aqui terá cama e mesa durante todo o mau tempo. A cigarra entrou, sarou da tosse e voltou a ser a alegre cantora dos dias de sol. Do livro Fábulas, Monteiro Lobato, 1994.

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